texto
appa escreve aos 19.Nov.06 pelas 06h23

wolf watching from the trees

O Bestiário do Amor de Richard de Fournival (ca. 1190-1260) é uma obra essencial para a compreensão do amor cortês e do que isso significa. Uma forma extrema de idealização acompanhado de uma lucidez desarmante. Esta dualidade em nada atemorizava o homem medieval.

Foram precisos seis séculos para que o Romantismo se "esquecesse" da lucidez retendo apenas o ideal. Com que resultados?

Esta obra de Richard de Fournival serviu de mote ao anterior programa. Na época da pobreza de linguagem do SMS com os que axam que e assim pk e assim. Um vislumbre do passado mais moderno que o presente.

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appa escreve aos 28.Apr.06 pelas 03h58

editora da vogue lendo texto rádio

Eis os guiões de todas as emissões de O Ouvido de Maxwell até à presente data. Os guiões são em formato PDF e precisam do Acrobat Reader para ser lidos.

Here are the scripts of all the brodcasts of O Ouvido de Maxwell till the present date. The scripts are in PDF format and need Acrobat Reader to be read.

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appa escreve aos 02.Apr.06 pelas 04h06

51.10

Isaac Newton

Dear Sir,

Agradeço a sua epístola. Levanta nela temas que um pobre Filósofo Natural não pode responder.

Dizeis que as leis que estabeleço no meu Principia tiram a magia do mundo. Que reduz tudo a coisas entendiantes e secas. Que preferíeis que eu não tivesse lançado luz sobre o Systemate Mundi.

Que vos furtei para todo o sempre o simples prazer contemplativo. Que a minha obsessão com as leis naturais e com a Mecânica Racional é resultado de uma curiosidade desmedida. Que é preciso saber ignorar. Que a natureza não deve ser violada de forma tão indecorosa. Que é uma mulher, e que guarda bem guardada as suas virtudes. Que aquilo que eu digo ser o método racional não é mais que o resultado indirecto das minhas crenças e dos meus pré-conceitos.

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appa escreve aos 02.Apr.06 pelas 02h17

45.28

Galilei Galilei

La Nuova Filosofia é o cimento que une a razão aos sentidos. Deixamos de estar sujeito à tirania dos antigos e do que eles disseram e passamos a ter ao nosso alcance a verificação da conjectura com base no que os sentidos nos dizem.

Assim é nos meus estudos astronómicos graças ao telescópio, que me permite perscrutar a celeste abóboda como nunca foi feito. Graças ele sei que:

a superfície da Lua não é perfeitamente lisa, livre de
desigualdades e exactamente esférica, como uma distinta escola de filósofos sustem para a Lua e outros corpos celestes, mas que é antes cheia de irregularidades, desigual, cheia de furos e protuberâncias, tal como a superfície da Terra, que é variada por todo o lado por assombrosas montanhas e fundos vales.

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appa escreve aos 02.Apr.06 pelas 00h56

37.50

Johann Kepler

Esse homem, Kepler, tem os modos de um cão. Parece um pequeno
cão de colo. O seu físico é ágil, com pelo de arame, bem
proporcionado. Os seus apetites estão na mesma medida: gosta de morder ossos e crostas de pão sêco, é tão soberbo que o que quer que seja que o seu olhar cruze ele abocanha; contudo, tal como um cão bebe pouco e contenta-se com comida simples.

Ele odeia cada vez mais pessoas, e elas evitam-no, os seus donos amam-no. Tem um horror de banhos, tinturas, e loções. A sua azelhice não tem limites, o que resulta sem dúvida da quadratura de Marte com Mercúrio, e num trino com a Lua; contudo ele toma bem conta da sua vida...tem um insaciável apetite para as coisas maiores.

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appa escreve aos 02.Apr.06 pelas 00h12

31.30

Nicolas Copernicus

o livro De Revolutionibus Orbium Cælestium

O meu livro De Revolutionibus Orbium Cælestium é sem dúvida um dos maiores worst-sellers da história. Ainda mais que se veio a provar ser seminal para a mudança das coisas. Quando o escrevi fiz para matemáticos apenas. Era esse o mote do livro. Procrastinei quanto pude e não se teria vertido a tinta no papel não fora a admoestação insistente de amigos para que o fizesse.

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appa escreve aos 01.Apr.06 pelas 23h45

25.28

Nicole Oresme

Aristóteles e Ptolomeu estão errados: a Terra move-se.

Propositione: Uma seta atirada na vertical para o ar
também se move para Este com o ar que atravessa e com toda a massa terrestre das porções acima enumeradas: toda a Terra, o ar e aflecha.

Demonstratione per Reductio ad absurdum

A seta assim disparada volta ao ponto de onde saiu. Parece que não se moveu, e consequentemente a Terra também não se moveu. Contudo se considerarmos um homem num barco movendo-se rápido para Este e sem estar ciente deste movimento, se ele estender a mão rapidamente para baixo, descrevendo uma linha recta paralela ao mastro da nave, parece-lhe que a sua mão só tem movimento vertical; donde por semelhante ratiocinari se prova que a flecha que nos parece cair na mesma vertical donde foi lançada também se move. Donde a terra move-se.

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appa escreve aos 01.Apr.06 pelas 19h31

13.26

Mesquita em C&aoacute;ordoba

Reverendo Irmão,

Estou em Córdoba. Um mercador falou-me que os mouros tinham feito traduções dos antigos para Latim. Meti-me à estrada e ao mar. Vim aqui em sua demanda.

Encontrei hoje um erudito árabe que me mostrou uma tradução de um livro da velha Alexandria. De um tal Ptolomeu. Chamam-lhe Almagest.

Nele se explica todos os movimentos dos céus com base em círculos. Tudo são círculos, que como bem sabes é o único movimento que o Senhor na sua infinita sabedoria faz. É o movimento perfeito que nunca degenera e que volta sempre a ele próprio. Ptolomeu concebe um complicado mas engenhoso sistema de ciclos e epiciclos para explicar as irregularidades dos movimentos na orbe celeste.

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appa escreve aos 01.Apr.06 pelas 16h21

8.14

Nebula omega

Quando as cidades de Hellas se desagregam e os seus governantes tem uma psuche bárbara. Apenas nos podemos refugiar na quietude dos céus.

A Terra está rodeada por nove esferas como uma cebola está pelas suas cascas. Mais dentro é a esfera da Lua; mais afora as esferas das estrelas, última a esfera do primeiro movedor, do Primum Mobile: Deus. Do que tudo faz mexer estando quieto.

Só na esfera sub-lunar há mudança. Só na esfera sub-lunar há
corrupção. Só aí há água, terra, fogo e ar. Fora daí há quietude e a perfeição do movimento circular, eterno. A matéria aí não é vulgar como os quatro elementos, mas nobre: o quinto elemento.

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appa escreve aos 30.Mar.06 pelas 22h52

4.19

anfiteatro em Efeso

Panta rei.

Tudo está em fluxo. Há um Logos que tudo rege

Pitágoras era um tolo ignaro que nem sabia o que era a noite e o dia. Não se explica o universo com devaneios infantis de harmonias e intervalos. Ele que continue a tocar Lyra e a cantar, que de Philoso-phos nada tem.

No centro há o fogo, partes do qual se extinguem e formam o mar e a terra. As mudanças entre o fogo, o mar e a terra equilibram-se entre si; puro ou etéreo o fogo tudo dirige.

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