
The appreciation of art is a true marriage of
minds. And in art, as in marriage, lack of
consummation is ground for annulment.Mark Rothko
Foi há 100 anos que o canadiano Reginald Fessenden se aventurou na primeira emissão de rádio propriamente dita. Era o dia 24 de Dezembro de 1906. E no Massachussets ouviu-se rádio pela primeira vez. Rádio pensada para ser ouvida por outrém. Aí surgiu aquilo que distingue a rádio dos demais meios: a sua intimidade. A rádio é um casamento que se consuma no nosso ouvido. Boda e núpcias simultâneas. Com o encanto e abandono de recém-casados este programa canaliza para a sua volúpia-voluta auditiva os detalhes íntimos. O rádio às avessas com música às direitas.
Sons:
- Genérico do programa Em nome do Ouvinte de José Nuno Martins
- Um doente do Júlio de Matos conforme registado pelo programa da RTP2 Portugalmente em 1998.
- Excertos dos filmes The Third Man de Carol Reed com Orson Welles e de Mr. Arkadin também com Welles e dirigido por ele.
- Excertos da peça The War of the Worlds dirigida por Orson Welles com o seu Mercury Theatre on the Air.
- Excertos da leitura de Almada Negreiros do seu Manifesto Anti-Dantas.
- Sons de arquivo relacionado com a guerra colonial incluindo mensagens de soldados às famílias.
- O Cardeal Cerejeira faz uma alocução por ocasião da inauguração do Panteão Nacional.
- Excerto de um programa do provedor do Ouvinte da RDP em que o O Ouvido de Maxwell é referido como um mau exemplo de rádio.
- Excertos do album Atmospheric Distortions do grupo Kangaroo Court.
- Sons de emissões de rádios da Nova-Zelândia, do Lichtenstein de Aruba, e da Etiópia
- Som de arquivo dos anos 50 em que Jorge Alves tenta falar com Orson Welles hospedado no Hotel Ritz em Lisboa.
- Yann Paranthöen fala sobre a rádio com Daniel Mermet no programa Là-bas si j’y suis.
Música de Josquin Desprez, Salvatore Sciarrino, George Frederic Handel, Johann Sebastian Bach, Claudio Monteverdi, Mateo Flecha (el viejo), Anon e Thomas Morley.
Locução de Inês Forjaz e Cristina Cunha.
