
O velho tem que sair para que o novo possa entrar.
O programa acabará no fim deste mês. Serão emitidos mais quatro. E depois chegando ao número 29 acaba.
As razões são múltiplas:
- Tenho sido um escravo do programa. São 3 a 4 dias por semana para pensar no programa, arranjar o material e montar. Este programa tem uma equipa de produção de um. Eu e eu só. Com o inexorável marchar do tempo, e perante o compromisso assumido, nunca tive tempo para parar e montar o meu sistema de produção já rotinado e assim ganhar tempo.
- O programa foi uma experiência muito enriquecedora. É o programa de alguém que nunca tinha feito rádio. Vistos de fora, a rádio e a televisão são coisas aparentemente transparentes, mas não são. De dentro a perspectiva é diferente. Percebem-se os condicionalismos e a complexidade envolvida.
- Tenho por isso uma perspectiva completamente diferente da que tinha há um ano. Não me revejo mais no manifesto que escrevi antes de fazer o programa. Isto no que diz respeito à rádio e também não me revejo mais no que que disse de mal da têvê. Embora não tenha realizado ainda programa nenhum para a TV, a verdade é que as minhas frequentes visitas ao arquivo da RTP me mostraram um outro lado da televisão.
- Saio sem amargura e sem arrependimentos. Toda a gente que cruzei na RTP me tratou sempre com grande lisura. Só tenho coisas boas para dizer de toda a gente. Com alguns privei mais do que com outros, mas nunca, nunca, nunca, foram de modo algum menos correctos comigo. Antes pelo contrário. Obrigado a todos.
- Acho que este programa tinha um prazo, que expirou. Quero fazer outras coisas dentro e fora da rádio. Com isto quero dizer que existe a possibilidade de voltar à rádio a partir de Junho ou Outubro com um outro programa. Esse programa herdará características do O Ouvido de Maxwell e terá coisas novas. Radio is a virus. E eu fiquei infectado, muito infectado. Nesse programa conseguirei finalmente colocar em prática algumas das ideias que eu tenho e que por falta de tempo e deficiente estrutura de produção nunca consegui implementar no OOM.
- Estes últimos programas serão uma amostragem do que quero fazer. Finalmente começo a ter as ferramentas que julgo necessárias para que o programa seja tecnicamente aceitável. Sei onde quero ir e o que fazer. Para já há a minha peça de teatro radiofónico. E a minha colaboração nas madrugadas dois ao quadrado e em tudo o que gira à volta desse projecto.
- Vou adicionar os programas de Janeiro e os dois a emitir amanhã em breve ao site e disponibilizá-los para download e em podcast. Assim que tiver novidades sobre o projecto de programa divulgarei aqui. Posso adiantar que tem já um título que novamente evoca a Ciência, mas desta vez numa única palavra. A seu tempo se saberá.
Termino agradecendo a todas e todos os que de uma forma ou de outra contribuiram para o programa. Isso incluí obviamente os ouvintes, mesmo os que inundam o provedor com queixas sobre o programa. O importante é debater as coisas. E nada me aborreceria mais do que saber que o programa não agita os humores de cada um.
O próximo programa, caso venha a ser uma realidade, será ainda mais agitador de humores.
Termino dizendo que estes 3 ou 6 meses, partindo do princípio que volto em Junho ou Outubro, serão usados para colocar os meus outros projectos em velocidade de cruzeiro e que não estavam a ter a atenção devida por causa do programa. E também para montar a minha estrutura de produção. Para que assim possa ter o tempo de realização de cada programa encurtado substancialmente.
Devo dizer que a televisão me interessa e que tenho vários projectos envolvendo-a. A ver vamos como saiem.
Vamo-nos vendo por aqui, e senão for antes econtramo-nos na rádio em Junho ou Outubro.
Até lá tenho um projecto intitulado Che cosa è quest'amor de concerto com recitantes, vídeo e instalação sonora que irá ter a sua estreia em versão reduzida no dia 6 de Maio no foyer do Teatro D. Maria II em Lisboa.
Irei dando aqui notícias desse e doutros projectos que tenho.
Continuo muito interessado num patrocínio para levar a cabo projectos mais ambiciosos na rádio e têvê. No que ao OOM diz respeito só levei negas. C'est la vie. Não vou desistir.
Até já,
António P. P. Almeida
