Uma aventura de título Arquivo Criativo
appa escreve aos 28.Oct.07 pelas 19h05

Fernando Pessa entrevista um perú no Natal de 1937 para a EN

Desde há tempos que as minhas andanças para as bandas da RTP estão relacionadas com mais coisas do que o programa.

Quem já ouviu o programa sabe do apreço que tenho pelo material de arquivo e de como ele contribui de forma decisiva para o programa. Dá-me gozo andar entre sons antigos e descobrir pepitas. O verdadeiro antigo, o genuíno e não o postiço que agora anda na moda.

Quando a Inês Forjaz passou a ser a voz do programa rapidamente descobrimos que ambos gostávamos de arquivos. E depois em conversas de fim de tarde na discoteca da RDP com o Eduardo Leite — responsável pelos arquivos da rádio — foi nascendo uma amizade. Uma conversa puxa a outra e às tantas acabamos a delinear um projecto inspirado na experiência
da BBC designada Creative Archive. O projecto "rouba" o nome da BBC Arquivo Criativo. Inicialmente incluía só os arquivos da rádio, mas posteriormente passou a incluir também os arquivos da televisão. O que faz todo o sentido sendo a Rádio e Televisão de Portugal.

O projecto é eminentemente serviço público no seu melhor, absolvam a minha imodéstia. Dar aos cidadãos acesso à sua história tal como está registada pela rádio e televisão de Portugal.

É também um projecto de serviço público na defesa da obra e do autor. Hoje há como que uma transformação em commodity das obras audiovisuais. Eu abomino o tão abusado vocábulo de conteúdos. Prefiro a palavra obras. Um obra continua a ser algo de singular independentemente da facilidade de difusão que a plataforma digital providencia.

É preciso adaptar o direito de autor à realidade da hiperconectividade e do acesso imediato. O autor pode e deve partilhar a sua obra garantindo que os seus direitos permanecem intactos; potenciar as novas utilizações da mesma que a partilha propicia. Julgo que para um autor a pior coisa é o esquecimento. A obscuridade do seu trabalho.

Há muitos exemplos em que a partilha consentida de uma obra resultou em ganhos para o autor não só de prestígio como monetários. Por isso optámos por licenças Creative Commons já transpostas para a legislação portuguesa pela Drª Filipa Salazar Leite.

O projecto surgiu das nossas três cabeças, mas é um projecto da RTP. Como tal envolve toda a estrutura da empresa. Em breve será lançado o site do Arquivo Criativo. Até lá fiquem com a notícia do Público e som do primeiro embarque das tropas para aquilo que viria a ser a guerra colonial (1961). A banda toca e as mães ululam. Um som estranho em que o voluntarismo discursivo do locutor torna o momento mais trágico. Fiquem também com a foto acima em que Fernando Pessa entrevista um perú em directo nos estúdios da Emissora Nacional no Natal de 1937, proveniente do Museu da Rádio: instituição à qual Fernando Pessa doou o seu espólio. Infelizmente não há registo desse momento em arquivo.

Se acaso alguém por aí tiver um registo digam coisas. Está aqui um impresso do acordo que os autores devem assinar a fim de facultarem a divulgação das suas obras na plataforma do Arquivo Criativo. Se tiverem sugestões, questões, &c. Deixem aqui um comentário ou enviem um email.

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Anonymous escreve às 12h49 de 01.Nov.07

a fotografia não tem créditos, é? que belo exemplo...
fotografia do Museu da Rádio, sff.
Inês

appa escreve às 14h42 de 05.Nov.07

De facto tens razão. Já está corrigido. Gracias.