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appa escreve aos 23.Feb.07 pelas 18h15

John Wayne as Ethan Edwards in the final scene of The Searchers

O fim de uma coisa é simultaneamente triste e alegre. Triste porque essa coisa que cresceu em nós vai deixar de ser. Alegre porque ao deixar de ser, abre espaço para que outra coisa nasça no seu lugar. Foram 29 programas. 29 é um número primo. Primo: a primeira parte; a fase primeira; o princípio ou abertura.

Ethan Edwards afasta-se e a porta fecha-se. Tinha-se aberto há 115 minutos. Vai retomar a estrada para Ixtlan, que continua ali, onde sempre esteve: em lado nenhum. Fim.


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appa escreve aos 13.Feb.07 pelas 17h58

The french poet Théophile de Viau (1590-1626)

Um programa exclusivamente musical. Destaque para a última peça. A leitura do poema Lettre à son frère de Théophile de Viau (1590-1626) por Eugène Green acompanhado na teorba por Vincent Dumestre interpretando o minueto em Sol menor de Robert de Visée (ca. 1650-1725).


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appa escreve aos 09.Feb.07 pelas 04h42

Brigitte Bardot durante a rodagem de Shalaco (1968)

Um programa à procura daquele que é sem dúvida o mais original dos cineastas da Nouvelle Vague: Jean-Luc Godard. O cinema é muito mais que a imagem. É som, as próprias imagens podem ser entendidas como sons. A Arte acontece quando esse som que ouvimos ressoa em nós. Parafraseando Godard, o som é uma criação pura do espírito. Um som não é forte porque é brutal, mas porque há uma associação distante de ideias entre o que ouvimos e o que é a nossa percepção da realidade.


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appa escreve aos 06.Jan.07 pelas 00h46

Reginald Fessenden: radio pioneer

The appreciation of art is a true marriage of
minds. And in art, as in marriage, lack of
consummation is ground for annulment.

Mark Rothko

Foi há 100 anos que o canadiano Reginald Fessenden se aventurou na primeira emissão de rádio propriamente dita. Era o dia 24 de Dezembro de 1906. E no Massachussets ouviu-se rádio pela primeira vez. Rádio pensada para ser ouvida por outrém. Aí surgiu aquilo que distingue a rádio dos demais meios: a sua intimidade. A rádio é um casamento que se consuma no nosso ouvido. Boda e núpcias simultâneas. Com o encanto e abandono de recém-casados este programa canaliza para a sua volúpia-voluta auditiva os detalhes íntimos. O rádio às avessas com música às direitas.


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appa escreve aos 23.Dec.06 pelas 10h49

Joan Crawford and Sterling Hayden in Johnny Guitar

Dizem os apóstolos do progresso que as Inquisições são coisa do passado. Que hoje vivemos em plena liberdade de expressão. Será? Não estarão os inquisidores no meio de nós e mais zelosos do que nunca? Não serão as Inquisições agora muito mais subtis, donde muito mais perigosas? Música de compositores perseguidos por elas e de locais onde as mesmas estiveram muito activas, com muitas perguntas entremeadas.

Sons do filme Johnny Guitar de Nicholas Ray. Sons de estaleiros de construção civil obtidos no freesound archive.


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appa escreve aos 08.Dec.06 pelas 23h51

A Dandy seen as monkey by a 19th century engraver

E se um desconhecido lhe disser que L'Art est partout isso é apenas constatar o óbvio. É constatar o triunfo da visão pós-moderna da Arte. Sim. E se alguém lhe disser o contrário mente, ou, o que é mais seguro está meramente a dar largas à sua afectação, ao seu snobismo intelectual. Esta rádio é um baluarte dessa atitude, com os qualificativos grande música, música séria, música erudita, música clássica, &c. Neste programa implode-se essa visão passadista da Arte e concomitantemente abriremos novos vastos horizontes aos ouvintes entricheirados nessa idefensável posição. Sobre eles choverão vergalhaitas e gás mostarda. E tudo, tudo, tudo isto é feito em nome da Arte. À carga.


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appa escreve aos 19.Nov.06 pelas 05h28

Rita Hayworth in Gilda

Pickup: captar, apanhar, recolher, engatar. Sedução. Desde a concepção do amor cortês do séc. XI até às cibernéticas alcoviteiras, mais ou menos speedadas, mais ou menos gananciosas, um longo trilho foi percorrido. Um homem cataloga mulheres. Aborda as que lhe agradam. Em pleno séc. XXI põe em prática os preceitos do amor cortês, do gai saber provençal. Pergunta-se: e isso funciona? Instruções dentro, com música a propósito. Faça você mesmo. NB: Descarta-se responsabilidade alguma do que daí lhe possa advir.


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appa escreve aos 10.Nov.06 pelas 04h57

	Carlo Checchi as the mathematician Renato Caccioppoli

Aquele momento em que...Alguns dizem que há algo para lá, outros que não há nada, outros que não há nem cá nem lá. De qualquer forma evita-se falar nisso, e é certo que trazer o assunto à baila arruina a mais animada das ocasiões. O escapismo é in. O nada vulgar quotidiano de um homem obcecado com esse momento dá o pretexto para que se fale disso e se ouça música a propósito. Aviso: Este programa contém sons eventualmente chocantes. Não aconselhável a pessoas fácilmente impressionáveis.


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appa escreve aos 04.Nov.06 pelas 16h39

woman with dog posing for photo

Spot relativo ao programa do dia 28 de Setembro de 2006.

Locução: Luís Caetano.

Texto no guião.


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appa escreve aos 04.Nov.06 pelas 16h31

girl with laptop talking on the phone

Spot relativo ao programa do dia 21 de Setembro de 2006.

Locução: Luís Caetano.

Texto no guião.


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